Resident Evil (2026): franquia aposta em novo diretor, protagonista original e retorno ao survival horror

Nova produção da Sony Pictures e da Capcom quer resgatar a atmosfera de tensão que consagrou os jogos e se afastar das versões mais focadas em ação

CINEMA E TV

Roberto Yamamoto

5/1/20265 min read

A franquia Resident Evil está prestes a ganhar uma nova tentativa nos cinemas — e desta vez com uma proposta mais clara: recuperar a essência do survival horror que marcou os jogos originais. Sob direção de Zach Cregger, de Noites Brutais (Barbarian), o novo longa da Sony Pictures e da Capcom promete abandonar o excesso de ação das adaptações anteriores e apostar em medo, tensão e vulnerabilidade.

A mudança de rumo também passa pela escolha do protagonista: em vez de recorrer imediatamente aos personagens mais conhecidos da franquia, o filme apresenta Bryan, interpretado por Austin Abrams (Euphoria). O personagem é um courier médico, um entregador de suprimentos hospitalares que acaba preso no centro do surto biológico em Raccoon City.

Novo pesadelo, nova abordagem

Ser fã de Resident Evil nos cinemas nunca foi uma experiência estável. Ao longo dos anos, a franquia oscilou entre produções centradas em ação e tentativas de reinício que não conseguiram consolidar uma identidade forte. Agora, o objetivo parece ser outro: resgatar o clima de insegurança, escassez de recursos e medo constante que definiram os jogos nos anos 1990.

Em vez de priorizar explosões e acrobacias, a nova produção quer investir na sensação de perigo iminente. A proposta é lembrar que Resident Evil nasceu para provocar desconforto, não apenas para impressionar visualmente.

Zach Cregger assume o controle

A escolha de Zach Cregger para a direção é um dos principais pontos de interesse do projeto. Responsável por Noites Brutais, o cineasta demonstrou domínio sobre a criação de atmosfera e sobre o uso da expectativa como ferramenta de terror.

Segundo o que foi divulgado, sua visão para Resident Evil é minimalista no melhor sentido: menos armamento pesado, mais tensão; menos espetáculo, mais medo. A ideia é fazer o público sentir o mesmo tipo de insegurança que marcou os jogos originais, especialmente ao atravessar corredores escuros e portas desconhecidas.

Um histórico recente complicado

A necessidade de uma nova direção criativa fica mais evidente quando se observa o passado recente da franquia. Em 2021, Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City tentou se aproximar da estética dos jogos, mas terminou com apenas 30% de aprovação no Rotten Tomatoes. O filme acertou em alguns elementos visuais e no gore, mas não conseguiu transformar fidelidade em uma narrativa forte e consistente.

No ano seguinte, a série da Netflix sofreu uma rejeição ainda mais dura. Lançada em 2022, a produção chegou a apenas 4.2/10 no IMDb e foi amplamente criticada por se afastar demais da identidade sombria da marca. O cancelamento após uma temporada reforçou a percepção de que a franquia precisava de uma correção de rota.

É justamente nesse cenário que o novo filme surge como uma tentativa de reposicionamento: respeitar o material original, mas sem ficar preso às fórmulas anteriores.

Bryan e a força do personagem comum

Uma das decisões mais interessantes do projeto é justamente a escolha de um protagonista original. Bryan não é um agente treinado, nem um policial de elite, nem um sobrevivente acostumado ao combate. Ele é uma pessoa comum, jogada no meio de uma situação extrema.

Essa opção fortalece o horror porque amplia a sensação de desamparo. Quando o personagem principal não tem preparo militar nem domínio das armas, o risco parece mais real. O medo deixa de ser abstrato e passa a ser físico, imediato. A presença de Austin Abrams ajuda a sustentar essa proposta, dando ao filme uma base dramática mais próxima do suspense do que da ação.

Raccoon City sob neve e sombras

Visualmente, a nova adaptação também quer marcar diferença. Um dos elementos mais comentados do primeiro teaser é a presença de uma Raccoon City coberta de neve. O cenário inédito não serve apenas como efeito estético: a neve amplia o isolamento, reduz o ruído e reforça a sensação de silêncio opressivo.

A fotografia aposta em sombras, iluminação precária e espaços sujos e degradados. A intenção é fugir da aparência de laboratório limpo e tecnológico que apareceu em outras adaptações e investir em uma atmosfera mais concreta e tensa. Lanternas fracas, portas rangendo e corredores escuros ajudam a construir esse ambiente.

A produção também está valorizando os efeitos práticos, buscando uma textura mais tátil e menos dependente de CGI. Isso reforça a proposta de um horror físico, com sangue, feridas e criaturas que parecem realmente presentes em cena.

Paralelo com Resident Evil 2

A história do filme acontece em paralelo aos eventos de Resident Evil 2. Enquanto Leon e Claire vivem seus próprios eventos na delegacia e nos esgotos, Bryan atravessa a cidade tentando concluir uma entrega que rapidamente se transforma em uma luta pela sobrevivência.

Esse recorte narrativo permite explorar áreas de Raccoon City que os jogos não detalharam, sem contrariar o cânone. Ao mesmo tempo, a decisão amplia o universo sem depender exclusivamente dos personagens mais famosos da franquia.

Mais do que zumbis

Apesar da presença dos mortos-vivos, o novo filme não pretende ser apenas mais uma história de zumbis. A proposta de Cregger é enfatizar o body horror, com mutações corporais e deformidades causadas pelo T-Virus.

A ideia é transformar cada encontro com uma criatura em uma sequência de suspense. Em vez de hordas genéricas, o filme quer monstros mais perturbadores, imprevisíveis e visualmente agressivos. Isso aproxima a adaptação do terror biológico que ajudou a consolidar a identidade dos jogos.

Uma nova chance para a franquia

Com estreia marcada para 18 de setembro de 2026, Resident Evil chega em posição estratégica para a temporada de terror do hemisfério norte. O filme reúne um diretor em ascensão, um protagonista fora do eixo habitual da franquia e uma proposta assumidamente voltada ao horror.

A grande aposta da produção está na simplicidade: não são explosões em excesso que vão sustentar essa nova versão, mas a tensão de uma lanterna fraca, um corredor escuro e a sensação de que algo está prestes a surgir da sombra.

Se Zach Cregger conseguir levar sua assinatura de direção para o universo de Resident Evil, a franquia pode finalmente encontrar um caminho mais sólido nos cinemas — e talvez, pela primeira vez em muito tempo, entregar aos fãs o tipo de medo que sempre esteve no centro da experiência original.

Se quiser, eu também posso fazer uma segunda versão mais curta e mais “jornal site”, com tom ainda mais direto e objetivo para publicação.